Banda
carioca completa 10 anos de estrada com muita atitude rock and roll.
No
dicionário "vilipendiar" significa "aviltar", "desprezar".
Foi por isto que Vilipêndio foi
escolhido para ser o nome de uma banda que promete fugir de qualquer regra ou
modismo que possam aprisionar o barulho de seu som. A síntese do primeiro
trabalho está explícita na estética oitentista de "Crime Perfeito".
O
álbum de "Crime Perfeito", "15 Abismos" (o primeiro do
grupo) foi produzido na época por Carlos Lopes (Dorsal Atlântica). A fusão entre
punk e metal é o que dá o tom na sonoridade agressiva do Vilipêndio. Tanto que o vocalista Ricardo Caulfield define o som
como "punk metal".
Veja
o videoclipe de "Crime Perfeito" e tire suas próprias conclusões.
Uma
guitarra na mão, uma ideia na cabeça e um videoclipe do Vilipêndio
Hitchcock, Punk Metal e
Questionamento Metafísico
Com
"Crime Perfeito", a banda Vilipêndio
começa a resgatar uma dívida com aqueles que compraram os CDs "15
Abismos" e "Um Segundo de Glória", e surge com um vídeo musical
bem ao estilo do "faça você mesmo". A busca de algumas imagens que
fizessem jus à energia brutal da canção lançada nos idos de 2002, no debut da banda.
Para
a banda, a escolha da música era óbvia por ser uma espécie de síntese do
primeiro trabalho. Um som que poderia ser definido como punk metal, mas que tem
muito do metal dos anos 80. A letra é sobre como o inesperado pode adentrar a
vida do ser humano. Para Ricardo Caulfield, a letra parte de um questionamento
metafísico: se já existe um destino pré-estabelecido para todos nós, até que
ponto somos responsáveis por nossos atos? A partir desta questão, Ricardo
procurou enxergar como funcionaria a existência de um criminoso em um mundo
onde inexiste o livre arbítrio.
O
videoclipe traz a presença do baterista Alexandre Fersan e do baixista Alex
Franulovic, além do próprio vocalista/guitarrista Ricardo Caulfield. Atriz profissional
Graziela Golandin completa a narrativa. Além disso, "ela é fã de metal e isto conta muito", ressalta o vocalista.
Dirigido
por Ricardo e editado por Fábio Rios, "Crime Perfeito" tem várias
soluções e efeitos visuais que acentuaram a força da música. "No começo tem um ângulo bem Hitchcock,
subindo uma escada. Acho que é a única homenagem que eu poderia fazer ao mestre
do suspense, porque com o orçamento, acho que estamos mais para Ed Wood",
brinca Ricardo.
Embora
a canção traga algumas metáforas bem fortes, não há violência no vídeo. "Não era preciso, na realidade, a própria
letra é bem abstrata. Acho que porrada está no som. A violência contra o ser
humano não me interessa como imagem”, explica Ricardo, acentuando que o Vilipêndio tem poucas músicas que
possam se interpretadas ao pé da letra.
Sobre
o porquê de não estrear com um videoclipe do novo e terceiro álbum “A
eternidade do caos” (que sairá ainda neste ano), o fundador do Vilipêndio explica: “Acho que era mesmo uma divida com uma fase
importante da banda", conclui.
CRIME PERFEITO
Música/Letra:
Ricardo Caulfield
A face mágica do
assassino
Trator perfeito do
destino
Encerrando assim o fim e
o começo
Da morte, da sorte, do
esquecimento
Ver sangrar o chão é
comum
Infeliz ou imortal,
somente um
Vai sentir ávida de
desejo a faca, a arma, a carne
A face brilha, o espírito
espelha desastre, massacre
A centelha queima
Metáfora obscura do
capitalismo
Repleta de lugares
comuns e perigo
Maculando o tempo e o
espaço
Com desespero, desânimo
e cansaço
A arte em parte de
construir a morte
Incoerência amarga dos
gritos
Alarme para o assassino
Hora de se retirar
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